Capítulo 1 – O que é a Ética?
Em 2010, os filósofos John Perry e Ken Taylor, da Universidade de Standford, convidaram Brian Leiter, Jenann Ismael e Martha Nussbaum para proporem um top ten dos problemas filosóficos atuais. Eis o resultado: 10. Encontrar uma nova base para sensibilidades e valores comuns. O mundo está economicamente mais interligado do que nunca. Mas ainda ferve de divisões e fragmentação social. Poderemos encontrar uma nova base de valores comuns que nos unam ao invés de nos separar? 9. Encontrar uma nova base para a identificação social. Forças distantes e poderosas, que não respondem perante as comunidades locais, ensombram demasiado as nossas vidas. Como podemos apoiar as comunidades locais, as comunidades com as quais nos podemos identificar? Ou é a própria ideia de uma comunidade local uma ideia paroquial ultrapassada, adequada apenas a séculos passados? 8. O problema mente-corpo. As Neurociências têm revelado muito sobre o cérebro. Será que este...
Pergunta 1
ResponderEliminarExistem saberes e vivências no nosso dia-a-dia que são completamente dispensáveis, dos quais poderíamos perfeitamente prescindir, sem se observar qualquer consequência grave (não se torna fatal não sabermos jogar xadrez, por exemplo). No entanto, existem situações que poderão causar-nos graves problemas, podendo até colocar a nossa vida em risco (devemos saber que se nos atirarmos para uma piscina com os bolsos cheios de pedras, as consequências não serão as melhores).
Por outras palavras, temos sempre que ter presente connosco a noção de conveniência, isto é, o que nos convém ou não, o que é bom ou mau para nós, que nos faz bem ou mal, e também reconhecer e saber responder à ambiguidade que uma situação pode apresentar (posso gostar muito de passar horas exposto ao sol para ganhar bronze, mas sei que o mais provável é apanhar um escaldão; é uma situação que apresenta uma face boa e outra má).
Nós, como seres racionais, podemos escolher o que pretendemos fazer, podemos fazer escolhas, podendo mesmo agir contra os nossos princípios e contra os nossos instintos de sobrevivência, pôr a nossa vida em risco por outra causa externa. Nós possuímos essa liberdade ao contrário dos restantes animais, que pouca liberdade têm naquilo que fazem, mas não podemos achar que possuímos liberdade em tudo (Não somos livres para fazer aquilo que não está ao nosso alcance. A nossa condição física, por exemplo, por vezes não nos permite atingir determinados objetivos. Nós, seres humanos, também não temos liberdade para atingir o impossível).
É nisto que a ética se baseia, neste saber viver, nesta aprendizagem de viver, de saber o que é melhor para nós ou, em muitos casos, o que é melhor para os outros, e usar a liberdade de que dispomos para escolher o que queremos, necessitamos, o que nos convém ou o que convém aos outros.
João Ferreira nº13, 10ºA
Segundo Fernando Savater, no seu livro “Ética para um jovem”, a ética é, muito resumidamente, a arte de bem viver. É saber aquilo que nos convém e aquilo que não nos convém, o que por outras palavras pode ser dito como a diferenciação entre o bem e o mal.
ResponderEliminarA ética é, segundo o autor, essencial no sentido prático da nossa vivência, ao contrário de outras disciplinas, visto que podemos viver sem saber das mais recentes descobertas de física, mas não podemos viver se… bom, se não soubermos viver, já que é nisso que a ética consiste.
Para além de essencial, a ética é difícil de estudar, porque os critérios para definir uma vida boa são bastante mais difíceis de identificar do que os critérios para definir um bom guarda-redes, por exemplo. Este último deverá defender o maior número de remates possíveis, e, de preferência, não marcar muitos auto-golos. Quanto à ética as opiniões dividem-se, e, para além disso, quando por fim encontramos uma ação que nos parece boa ou má, esta pode tomar o pólo oposto quando considerada noutro contexto. Que confusão!
A ética é ainda restrita ao ser humano, já que é consequência de uma racionalidade e visão ampla mundo, que os animais não possuem. Por isso é tão complicada; enquanto que outro ser vivo tem o seu comportamento mais ou menos predefinido, o ser humano tem opções na sua ação, tendo por isso que refletir sobre elas, e é dessa reflexão que emerge a ética que cada um de nós pratica. Esta disciplina só faz portanto sentido quando consideramos a liberdade na ação humana.
Rodrigo Saraiva, 10º A, nº 24