O relativismo cultural (RC) tem sido defendido, sobretudo, pela conhecida antropóloga Ruth Benedict e pelo filósofo contemporâneo Gilbert Harman. Mas, enquanto forma de compreender a questão dos critérios valorativos, é uma teoria com bastantes limitações, dado que não consegue escapar a críticas muito fortes. Uma dessas críticas é a de que o RC é incompatível com a tolerância como valor universal. Os adeptos do RC defendem que se percebermos que as culturas são diferentes e que nenhuma é melhor do que outra, então perceberemos que devemos ser tolerantes para com outras culturas diferentes da nossa. Mas isso é compreender, precisamente, que há, pelo menos, um valor – a tolerância – que não depende de nenhuma cultura. Pelo contrário, parece que depende de uma reflexão racional que nos conduz a compreender a verdade do juízo “devemos ser tolerantes”. Neste sentido, o critério para decidir da verdade ou falsidade dos juízos de valor não seriam as convenções sociais (como defende ...