«Adquirimos conhecimentos espantosos sobre o mundo físico, biológico, psicológico, sociológico. A ciência impõe cada vez mais os métodos de verificação empírica e lógica. As luzes da razão parecem rejeitar nos antros do espírito mitos e trevas. E, no entanto, por toda a parte, o erro, a ignorância, a cegueira, progridem ao mesmo tempo que os nossos conhecimentos.
É-nos necessária uma tomada de consciência radical:
1. A causa profunda do erro não está no erro de facto (falsa perceção) ou no erro lógico (incoerência), mas no modo de organização do nosso saber em sistema de ideias (teorias, ideologias);
2. Existe uma nova ignorância ligada ao desenvolvimento da própria ciência;
3. Existe uma nova cegueira ligada ao uso degradado da razão;
4. As ameaças mais graves em que a Humanidade incorre estão ligadas ao progresso cego e descontrolado do conhecimento (armas termonucleares, manipulações de todas as espécies, desequilíbrio ecológico, etc.).
Eu pretendia mostrar que estes erros, ignorâncias, cegueiras, perigos têm um carácter comum que resulta de um modo mutilador de organização do conhecimento, incapaz de reconhecer e apreender a complexidade do real.»
Edgar Morin, "Mythes et realités", Colóquio Georges Orwell, Big Brother, un inconnu familier, 1984 in: Introdução ao Pensamento Complexo (Lisboa: Instituto Piaget, 5.ª ed., 2008), 13-14.

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